O amor é cego, mas escuta lá de longe. E não importa mesmo onde ele está, se você e ele são um desses sentimentos que vieram à tona no dia de hoje, vão gostar demais da Mixtape especial da #Comofas Comunicação para o Dia dos Namorados. Uma playlist carinhosa para vocês que compraram um maço de rosas no mercado logo pela manhã; ou embrulharam a caixa de bombons no papel de presente do Magazine Luiza e, ainda assim, não descartam até o fim do dia a possibilidade de mandar uma telemensagem no trabalho do namorado. Nós não nos esquecemos de vocês, pombinhos. Mas se você não sabe o que é o amor ainda, neném, não se machuque. Ouça nossa mixtape, tudo ficará bem. Há muito amor no mundo agora. Aproveitem. Beijos no coração.
Archive for Música
Mixtape #1 /// Comofas Comunicação
Por Vinicius Alvares / Gustavo Stevanato
Nada de bolo de fubá com cafezinho ou leite com biscoitinhos. Hoje é dia de chá de fita aqui na #Comofas Comunicação Blog. Estréia hoje na virada britânica do dia uma nova secção no blog para você bater os pires das xícaras na mesa. E não vai ter café com leite. Toda semana vocês irão ver por aqui uma lista com as faixas mais novas das suas próximas bandas preferidas ou uma seleção temática para você não perder o fio da meada do mundo no meio dos fones de ouvidos. A Mixtape #1 está de dar nó na orelha na molecada que usa K7 para fazer rabiola de pipa. Toca aí!
Just an old man in a young girl’s world.
Por Vinícius Alvares!
Há uma infinidade de definições que podem ser utilizadas para caracterizar a música feita em tempos tão delicados. “Interessante” não é das mais recorrentes. Qualquer tentativa de sinalizar intenções levemente diferentes são bem vindas. Mas ler um release anunciando uma mistura de country com dubstep é capaz de fazer o mais PRAFRENTEX correr, de constranger até Dr. Jairo Bauer. Vamos aos fatos: Daughn Gibson era baterista de uma banda de stoner, o Pearls and Brass. Segundo: O cara era um CAMINHONEIRO. Porra, isso sim é interessante.
Depois de uma provável treta sobre “diferenças criativas” (sempre um belo eufemismo), Gibson traz sobre as costas “All Hell”, sua primeira tentativa solo. Entre baterista e crooner, alguns loops, synths e a escuridão.
Digno de um barítono que remete a mestres como Johnny Cash, Nick Cave, Scott Walker e Stephin Merritt, Daughn deve conhecer a noite de cabo a rabo; uma relação estranha, simbiótica. Uma companhia agradável, como na melodia de “In The Beginning”. Ou uma luta para não ser engolido, como em “Lookin’ Back On 99”. Isso aqui é Cash numa bad trip. De algo bem tóxico, tipo chá de Basf K7 Chrome. “Bad Guys” é praticamente um filme do Lynch protagonizado pelo Peter Steele, que dirige pela madrugada delirando em arrebite.
Pesado. Mas o disco também tem seus respiros. “Dandelions” é uma parada no Clube Irmão Caminhoneiro Shell. De levada Western, finalmente dá pra saber como é ser o Sundance Kid atrás de um sintetizador.
É aí que chega a paulada. É uma cilada, Bino. “All Hell”. No prólogo, um guri morimbundo suplica pela avó. Ela sim, sabe rezar. Seus pais não manjam nada de Jesus. Corte para batida marcada, violoncello dramático: “It’s a long way down”, avisa Gibson. Por favor, alguém traga a avó dessa criança.
E assim se faz uma bela surpresa. Sem hype algum, do meio do nada, surge um dos discos do ano. Dentro um subgênero que garante um bacharelado hipster a qualquer um que se dispor a ouvir: Country-Dubstep Trucker. Só me resta aguardar com ansiedade pelo próximo disco da Sula Miranda.
Trabalho, trabalhadores e suas Intersecções
Dizem que se trabalhar fosse bom ninguém te pagava para isso. Pois bem, tem trabalhos e projetos que são tão legais, tão interessantes ao nosso gosto ou aprendizado, que acabamos fazendo realmente porque gostamos, sem pensar em uma recompensa financeira. Vamos além desse pequeno e importante detalhe na busca por uma realização pessoal e na esperança de que posteriormente a recompensa nos encontre.
Essa ideia nunca foi tão forte quanto no ambiente da internet em que, pelo menos teoricamente, todos temos espaço e vez. Nossas vontades, preferências e gostos viram belos projetos, sejam eles blogs, portais, ensaios, aplicativos, campanhas… Em resumo: conteúdo! E estes conteúdos que dão tanto trabalho para serem produzidos, com o tempo, muita dedicação e vontade, nos rendem contatos, amigos, reconhecimento do público, jobs, empregos e… dinheiro!
Em homenagem ao dia do trabalho e a todas as pessoas e projetos que fazem da labuta algo muito maior, fizemos o Intersecções, um ensaio fotográfico de moda com os blogs/blogueiros parceiros da #comofas, como uma singela homenagem a todos que produzem e trabalham no ambiente virtual por amor.
Nosso muito obrigada a todos os envolvidos que trabalharam muito nesse projeto, cada um com a sua especialidade, mesmo sabendo que não haveria dindim envolvido. Aquele dia de sábado de sol escaldante e depois chuva torrencial foi para nós quase uma orgia trabalhística grupal.
Esperamos que gostem do resultado!
Gostou? Então fique ligado que ainda postaremos sobre tudo do ensaio: referência de moda, maquiagem, making of em vídeo, Street Style dos blogueiros e muito mais!
Bob Dylan em Brasília: carência e hits
Quando passou pelo Rio de Janeiro, na primeira de seis apresentações que fará no Brasil, Bob Dylan foi “acusado” de ter feito um show “morno e sem hits”. Na noite da última terça-feira, Bob passou também por Brasília e confirmou o que já era possível intuir a respeito: carência é uma merda mesmo. Não é uma afirmação das mais sutis, confesso até que bem pouco inteligente, mas não me vem outra no momento. Essa mania que se tem de criticar alguém que, aqui nestas terras ou em qualquer lugar do planeta, faz o seu show, como entende que dever ser feito, e pronto. Nos intervalos entre as quase 20 músicas do set list brasiliense, Bob Dylan não conversou uma vez sequer com a plateia do ginásio Nilson Nelson e não esboçou nenhum gesto especial de simpatia. Não precisava.
O velho Dylan vem revestindo suas músicas, novas e antigas, com algo meio rock, levemente country e essencialmente blues. Dentro deste universo, abdicou da tarefa de cantar seus versos. Prefere adotar um jeito quase falado de soltar a pouca voz que lhe sobra. De terno e chapéu, domina o palco mais como um mestre de cerimônias de si mesmo do que propriamente como um cantor. Não é segredo para ninguém que ele não tem mais alcance algum de voz, pelo qual vem sendo constantemente criticado, mas veja só: esse alcance, meu amigo, jamais existiu. O que sempre houve, e parece eterno na mitologia Dylan, é a propriedade com que usou sua voz falha, porém certeira. Com ela, desfila seus hits de forma desacelerada e, como faz também desde sempre, guarda pouca fidelidade com aquilo que foi registrado nos discos.
Chega a ser engraçado a ânsia de participação quando, por exemplo, chega o refrão de “Like a Rolling Stone” e o público quer cantar como está lá, na gravação presente em Highway 61 Revisited. Só que o show não é, e nem poderia ser, aquele de 47 anos atrás. O público enche os pulmões pressentindo o refrão, mas ele só vem depois, em tempo diferente e sem a explosão com que ficou eternizado. Paciência. Mesmo hoje, após décadas de carreira, às vezes é difícil para o público, ou mesmo para a crítica, aceitar este paradoxo do sujeito. Em toda canção, Dylan apresenta uma novidade – passa longe das versões consagradas no imaginário popular. Em toda canção, não há novidade alguma – é o mesmo velho Dylan, passando uma rasteira na própria plateia apenas porque quis assim.
E nem há, para ser justo, tantas rasteiras assim. No Rio, Dylan começou com “Leopard-Skin Pill-Box Hat” e “It Ain’t Me, Babe”. Em Brasília, a mesma “Leopard-Skin Pill-Box Hat” e “Don’t Think Twice, It’s All Right”, seguidas por canções como “All Along the Watchtower”, “A Hard Rain’s A-Gonna Fall”, “Highway 61 Revisited” e “Ballad of a Thin Man”. Um conciso apanhado dos primeiros discos, portanto, para fã nenhum resmungar na saída. Tanto que faltou até algum espaço para as canções dos três últimos discos. Destas, os pontos altos foram mesmo as que figuram em Modern Times, de 2006. De lá, Dylan tirou as confrontadoras “Honest with Me” e “Thunder On The Mountain”, além da adorável e pessimista “Spirit on the Water”. Do disco mais recente, apenas “Beyond Here Lies Nothin” deu as caras. No bis – pois é, teve até bis! -, sobrou ainda “Rainy Day Women #12 & 35″, essa sim com a galhofa semelhante àquela original. E foi só. De mais não precisava. “Mais”, aqui, seria preencher carência. E carência, vou repetir, é uma merda.
Blog very nice da semana: Move That Jukebox
Vocês se lembram da época em que era muito difícil encontrar um bom blog que falasse de música boa? Pois bem, eu me lembro como se fosse ontem! E eu também me lembro bem de quando, em 2007, um certo blog apareceu em alguma rede social da vida (Orkut?) e eu já curti logo de cara: o Move That Jukebox!
O Move That Jukebox existe desde 2007, e, como toda boa fonte de informações e opiniões, já despertou os mais diversos sentimentos em mim (teve uma resenha do disco novo do Arctic que eu li e quis morrer! Mas admito, foi um pouco de coisa de fã radical… hehehe), mas sempre, sempre esteve presente, pulando na janelinha do Tweet Deck com notícias, resenhas e muito mais da música nacional e gringa.
Segundo o editor do blog, Neto Rodrigues, o blog surgiu num bate papo descompromissado em uma comunidade do Tim Festival de 2007, no Orkut (ele não estava presente entre os criadores, mas entrou para a equipe em 2009). O fundador, o Alex, é de Teresópolis (RJ), e com mais uma turma de São Paulo e Belo Horizonte começaram o esquema. Hoje, tem gente escrevendo de São Paulo, Ribeirão Preto, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São José dos Campos e Uberlândia.
Neto conta que “de lá pra cá foram milhares de posts, muitas exclusivas, entrevistas, elogios, críticas, tropeços acertos e por aí vai. E em julho do ano passado conseguimos organizar nosso primeiro festival, que rolou durante 2 dias em SP e contou com quase 20 atrações, entre bandas de rock independentes e grupos de música eletrônica“. Very nice, não?
Para os preguiçosos de plantão, alguns atalhos: a aba de mixtapes do MTJ (a primeira, de verão, tá bem legal!), a de entrevistas (em especial a com o Emicida, que achei bem foda) e a de festas (vai rolar, nesta quinta-feira, uma festa beeeeem legal no Beco 203 da Augusta, ‘A História do Rock‘, com uma galera discotecando década a década, desde os 50′s até 00′s!).
Curtiram? Então acesse o Move That Jukebox e revire todas as abas e links do blog, porque se você curte novidades e muito mais sobre música, vale a pena e muito! Você também pode acessar a página do Facebook e o perfil do Twitter! E fiquem ligados no blog, porque, como afirmou o Neto, “estamos caminhando para ser uma marca, uma empresa, com todos os benefícios e responsabilidades que isso possa trazer“. Quero muito ver o que vem por aí!
Tem algum blog para me indicar? Manda a ver aí nos comentários! E se gostou do post e da indicação, curta, compartilhe e comente! E semana que vem tem mais!
Tennis – Young and Old (2012)
Segunda-feira de estreias aqui no blog da #comofas! Nosso querido Gustavo Stevanato já começa sua coluna com o pé direito, ou melhor, com o ‘Tennis’ direito, grupo que lançou seu disco Young and Old agora, em 2012, e sobre o qual nosso colunista discorre lindamente, confiram!
O duo Tennis é uma das bandas que abriu escritório na praia em 2011. Patrick Riley e Alaina Moore compraram mesmo a idéia dos vocais de óculos escuros, teclados ensolarados e as guitarras abafadas entre os dedos para o som de um verão incansável, que enfeitou a orla da música no ano passado. Beach House, Best Coast, The Drums e até o The Rapture, os novos Reis da Praia desde o novo ano, não perderam o lugar ao sol para pegar um novo som.
E indo assim, sem bater a areia, cada dia de sol do disco Cape Dory (2011) era um feriado. As melodias ressoavam fáceis pelos ouvidos e não houve quem rebatesse os sapatos em reprovação. Mas à vontade do itinerário de um novo álbum não dava mais para sair por aí de pedalinho. Mais ainda que Young and Old (2012) seja movido pelas águas passadas das ondas abertas dos anos 50-60, o que se quer agora é fechar o verão de uma forma diferente.
O que ressoa de novo nas conchas acústicas é que a produção de Patrick Carley (Black Keys) subiu mesmo o nível do som do casal até as teclas pretas da Uptown, deixando o Rhythm & Blues e até do Rockabilly ficarem por cima d’água. A procura por um novo norte é legítima pelo chamado do baterista James Barone a envergar as madeiras a toda volta para ver até onde o vocal ressumado doo-wop de Moore consegue ir sem quebrar à margem das reverberações.
E não que o duo tenha parado de fazer sol e chuva – mas é que não dá para se entrar sempre numa festa como se entrasse num iate. O Tennis muda antes mesmo do mar. “It All Feels The Same” lava a roupa suja do último verão na ressaca espumante das referências de molho da Beach Music e Indie Surf; e “Travelling” parece se passar num comercial 360 graus de protetor solar, mas é em “Origins” e, principalmente, “Petition” que se percebe que eles não serão os mesmos para sempre, ainda mais – ou se tornarão menos ainda – quando a melancolia subir por cima das ondas (“Take Me To The Heaven”) e tiver engolido os calcanhares.
Mas sim, o que a Igreja uniu e, se transformou agora em trio diante do mar, é emocionante e ainda balança mesmo o barco; mas o mais importante a se perceber, desde a primeira viagem, é que o que move sutilmente a marulhada do álbum Young and Old (2012) do Tennis não é a sua boniteza, e sim, a notável instabilidade com que se leva-e-traz as cenas de verão e maresia.
Rock no Goiás! Documentário Hang the Superstars
Então: existiu uma banda da qual você talvez nunca tenha ouvido falar, mas que tocou a desgraça completa numa cidade perdida. Em Goiânia, estiveram nos lugares e nos sons que pouca gente teve a manha de estar. O Hang the Superstars circulou por aí durante 10 anos, mas acabou. Não vai voltar. Infelizmente, não é provável que o vocalista Maurício Mota volte a empunhar uma guitarra tão cedo, mas é plenamente possível que a história dele e mais alguns malucos seja contada em documentário.
Para isso, tá rolando no Catarse, aquela ferramenta de financiamento colaborativo, um projeto que busca recursos para um filme a respeito do HTS. Mais de 80 pessoas colaboraram, uma festa foi realizada e outra ainda rola nesta semana. Na quinta, Bang Bang Babies e Dirty Harry tocam no Metrópolis, na capital goiana, e parte da renda da bilheteria será revertida para o projeto.
Para falar da importância da bagaça, a Comofas convidou o amigo Pedro Rabelo, vocalista dos Bang Bang Babies, para contar do legado, da sem-vergonhice e do caminho torto que o HTS insistiu em traçar.
Hang the Superstars - Menos tecnologia, mais unha
Por Pedro Henrique Rabelo
Quem acompanhou a música alternativa goianiense do final dos anos 90 até meados de 2006, com certeza já ouviu falar de uma banda formada por três sujeitos de gravatinha e duas minas fazendo backing vocals. É bem provavel, aliás, que grande parte dos que frequentaram o underground da época se lembre dessa banda com um puta entusiasmo nostálgico. É o meu caso.
O Hang The superstars foi sem dúvida uma das bandas mais empolgantes que surgiram em território goiano. Fizeram inúmeros shows eletrizantes e, entre cds, fitinhas k7 e vinil 7”, sempre lançaram materiais super classudos. O HTS misturava garage, punk, new wave e surf de forma crua e safada. Era tosco, dançante, primitivo, divertido, despretensioso e muito, muito honesto.
E a honestidade, às vezes, fala mais alto. A real é que durante toda sua trajetória, o HTS se manteve fiel a alguns princípios, fazendo música simples e colocando a diversão sempre em primeiro plano. É fácil enxergar a não rendição a fórmulas ou modismos, sem medo de fazer um tipo de música que, para muitos, poderia soar como algo tosquinho, meio torto, esquisito. Pode até ser, mas a verdade é que a energia, o swing e a pulsação estavam sempre presentes.
Em algumas das gravações, o Hang the superstars utilizou equipamentos que eram considerados obsoletos para muita gente e resgataram a sonoridade típica das bandas de garagem. “Menos tecnologia e mais unha”, dizia Mauricio Mota. Nos palcos, a banda se dava bem tanto em festivais de maior estrutura quanto em eventos humildes e com aparelhagem ruim.
É importante observar que algumas bandas do novo rock goiano, e mais ainda de outros estados, nunca chegaram a ver um show do Hang. O que é uma merda, já que tudo hoje parece imposição sonora e estética, pouca sinceridade, nenhuma espontaneidade. Todos profissionais demais. Tocar com o equipamento top, ser o top, e blábláblá. Por esses e outros motivos, a banda merece o registro em documentário. É necessário resgatar esses momentos de insanidade e liberdade vividos intensamente durante a trajetória da banda. A lição de desprendimento muito bem ensinada pelo Hang The Superstars.
Não conhecia mas se interessou? Que tal ajudar o rock de qualidade goiano a ser devidamente documentado e ainda levar um DVD desse povo louco debaixo do braço? Contribui aí pro projeto! Mas não deixe para depois pois restam menos de 5 dias!
Howler – America Give Up (2012)
Temos o prazer imenso de apresentar para vocês mais um especialíssimo colaborador da #comofas! O senhor Vinicius Alvares, mais conhecido como nosso querido Vinça, a partir de hoje vai deixar esse blog mais musical e malemolente com suas belas resenhas de discos e shows. É uma alegria sem fim te ter entre a gente por aqui também, Vinça! Valeu demais!
E como um belíssimo abre-alas, texto sobre o novo disco do Howler que faz show em São Paulo amanhã e no Rio de Janeiro no sábado.
Não temereis, o rock está a salvo (mais uma vez). Eis mais um debut messiânico, combustível das publicações responsáveis em transformar o rock’n'roll em um dos morimbundos mais chatos de todos os tempos. Se todas as revoluções prometidas até aqui tivessem entrado em curso, provavelmente a atual cena seria o post-apocalypse.
Para esse “morimbundo”, o parâmetro para comparações ainda é aquela banda que estourou há 12 anos, enquanto a molecada perdia a madrugada no Napster tentando baixar “Run To The Hills” por uma conexão discada até descobrir “Last Night” no disk MTV, provavelmente da boca de Sabrina Parlatore. Sim, isso faz muito tempo. Os Strokes da vez, porém, devem muito mais à Detroit de 1969 do que à exaustivamente explorada Nova Iorque de 1967.
Temos aqui a crueza do proto-punk, o rock-garageiro carregado de fuzz, o vocal passeando entre o tédio e a fúria, porém em uma versão soft-porn feita para a tv. Entram algumas melodias assoviáveis, junto à linhas melódicas de guitarra cuidadosamente produzidas para soarem desproduzidas. Jordan Gatesmith (em uma performance que evoca Joey Ramone) manda melodias que em outros contextos soariam como um doo-wop cinquentista, mas que em faixas como “Waling (Making Out)” beiram o shoegaze e todo seu peso.
Mas o que há de errado com tudo isso? Nada, muito pelo contrário. America Give Up é um ótimo disco, divertido e competente. O problema mais uma vez é a proporção que as coisas tomam graças ao hype criado na busca pelos novos salvadores, que já criou e destruiu rapidamente cenas efêmeras como o revival pós-punk novaiorquino, o disco-punk, o new rave (hoje motivo de piada, tamanho equívoco),o chillwave, o “novo” surf-rock da costa oeste e tantas outras. É fácil ser engolido por comparações errôneas, cobranças, promessas e consequentemente, pelo backlash capaz de destruir carreiras inteiras já no primeiro disco.
E por que o Howler? Por que cinco moleques de Minneapolis, longe de qualquer cena “efervescente”, ganhando tantos caracteres (e saliva), contra e à favor, fazendo um som já feito por bandas contemporâneas como Jeff The Brotherhood, Mazes, Bare Wires e outras? Deve ser porque são bons mesmo. E uma pura questão de timming, com boas apresentações entre o lançamento de seu e.p. e America Give Up.
#comofas um CD sem dinheiro?
Aqui na #comofas a amizade também prevalece! Para quem não sabe, ano passado fizemos um trampo muito legal para os meninos do Ba-Boom, banda/projeto independente do ABC Paulista com mais de 11 anos de estrada. Fizemos o lançamento do single nas mídias digitais, Assessoria de Imprensa e fizemos também a nossa cabeça para o nova música brasileira com um cadim assim de Jamaica, cheia de atitude, letra e muita paixão dos músicos!
Depois de muito trabalho, sucesso do single e do clipe, que inclusive foi querido, pedido e mega exibido na MTV (Pois é! Tá achando que o Criolo e Emicida são dono daquela bagaça?), os meninos agora estão com uma nova bucha: conseguirem o dim dim para a produção do novo CD da banda.
Meu irmão, a realidade aqui é dura e eles precisam da sua ajuda! O projeto está todo explicadinho e cadastrado no Catarse, aquele site lindo de crowdfunding. Pela singela quantia de R$15 reais você pode fazer uma super boa ação pela música brasileira! Não tem dinheiro? Que tal então compartilhar o projeto em suas redes sociais? Já compartilhou tanto Michel Teló – Inglês, francês, Libras, Gospel e o caralho – Compartilhar música boa vai ser bemmm mais fácil, né?!
Facebook e Twitter do Ba-Boom para quem quiser ficar por dentro das novidades!
Meninos Ba-Boom, um beijo de torcida e apoio da #comofas! Bora fazer esse disco sair porque vocês merecem!










