Just an old man in a young girl’s world.

mai 17

 

Por Vinícius Alvares!

Há uma infinidade de definições que podem ser utilizadas para caracterizar a música feita em tempos tão delicados. “Interessante” não é das mais recorrentes. Qualquer tentativa de sinalizar intenções levemente diferentes são bem vindas. Mas ler um release anunciando uma mistura de country com dubstep é capaz de fazer o mais PRAFRENTEX correr, de constranger até Dr. Jairo Bauer. Vamos aos fatos: Daughn Gibson era baterista de uma banda de stoner, o Pearls and Brass. Segundo: O cara era um CAMINHONEIRO. Porra, isso sim é interessante.

Depois de uma provável treta sobre “diferenças criativas” (sempre um belo eufemismo), Gibson traz sobre as costas “All Hell”, sua primeira tentativa solo. Entre baterista e crooner, alguns loops, synths e a escuridão.

Digno de um barítono que remete a mestres como Johnny Cash, Nick Cave, Scott Walker e Stephin Merritt, Daughn deve conhecer a noite de cabo a rabo; uma relação estranha, simbiótica. Uma companhia agradável, como na melodia de “In The Beginning”. Ou uma luta para não ser engolido, como em “Lookin’ Back On 99”. Isso aqui é Cash numa bad trip. De algo bem tóxico, tipo chá de Basf K7 Chrome. “Bad Guys” é praticamente um filme do Lynch protagonizado pelo Peter Steele, que dirige pela madrugada delirando em arrebite.

Pesado. Mas o disco também tem seus respiros. “Dandelions” é uma parada no Clube Irmão Caminhoneiro Shell. De levada Western, finalmente dá pra saber como é ser o Sundance Kid atrás de um sintetizador.

É aí que chega a paulada. É uma cilada, Bino. “All Hell”. No prólogo, um guri morimbundo suplica pela avó. Ela sim, sabe rezar. Seus pais não manjam nada de Jesus. Corte para batida marcada, violoncello dramático: “It’s a long way down”, avisa Gibson. Por favor, alguém traga a avó dessa criança.

E assim se faz uma bela surpresa. Sem hype algum, do meio do nada, surge um dos discos do ano. Dentro um subgênero que garante um bacharelado hipster a qualquer um que se dispor a ouvir: Country-Dubstep Trucker. Só me resta aguardar com ansiedade pelo próximo disco da Sula Miranda.

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Tennis – Young and Old (2012)

mar 19

Segunda-feira de estreias aqui no blog da #comofas! Nosso querido Gustavo Stevanato já começa sua coluna com o pé direito, ou melhor, com o ‘Tennis’ direito,  grupo que lançou seu disco Young and Old agora, em 2012, e sobre o qual nosso colunista discorre lindamente, confiram!

Por Gustavo Stevanato

O duo Tennis é uma das bandas que abriu escritório na praia em 2011. Patrick Riley e Alaina Moore compraram mesmo a idéia dos vocais de óculos escuros, teclados ensolarados e as guitarras abafadas entre os dedos para o som de um verão incansável, que enfeitou a orla da música no ano passado. Beach House, Best Coast, The Drums e até o The Rapture, os novos Reis da Praia desde o novo ano, não perderam o lugar ao sol para pegar um novo som.

E indo assim, sem bater a areia, cada dia de sol do disco Cape Dory (2011) era um feriado. As melodias ressoavam fáceis pelos ouvidos e não houve quem rebatesse os sapatos em reprovação. Mas à vontade do itinerário de um novo álbum não dava mais para sair por aí de pedalinho. Mais ainda que Young and Old (2012) seja movido pelas águas passadas das ondas abertas dos anos 50-60, o que se quer agora é fechar o verão de uma forma diferente.

 O que ressoa de novo nas conchas acústicas é que a produção de Patrick Carley (Black Keys) subiu mesmo o nível do som do casal até as teclas pretas da Uptown, deixando o Rhythm & Blues e até do Rockabilly ficarem por cima d’água. A procura por um novo norte é legítima pelo chamado do baterista James Barone a envergar as madeiras a toda volta para ver até onde o vocal ressumado doo-wop de Moore consegue ir sem quebrar à margem das reverberações.

E não que o duo tenha parado de fazer sol e chuva – mas é que não dá para se entrar sempre numa festa como se entrasse num iate. O Tennis muda antes mesmo do mar. “It All Feels The Same” lava a roupa suja do último verão na ressaca espumante das referências de molho da Beach Music e Indie Surf; e “Travelling” parece se passar num comercial 360 graus de protetor solar, mas é em “Origins” e, principalmente, “Petition” que se percebe que eles não serão os mesmos para sempre, ainda mais – ou se tornarão menos ainda – quando a melancolia subir por cima das ondas (“Take Me To The Heaven”) e tiver engolido os calcanhares.

Mas sim, o que a Igreja uniu e, se transformou agora em trio diante do mar, é emocionante e ainda balança mesmo o barco; mas o mais importante a se perceber, desde a primeira viagem, é que o que move sutilmente a marulhada do álbum Young and Old (2012) do Tennis não é a sua boniteza, e sim, a notável instabilidade com que se leva-e-traz as cenas de verão e maresia. 

 

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